O estresse e as relações interpessoais na prevenção de doenças cardiovasculares crônicas

O cardiologista Cláudio Domênico aborda dados sobre como o comportamento é um fator de risco para essas doenças

A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta o hábito alimentar inadequado como o principal fator de risco para mortalidade precoce ao redor do mundo. Desde 2012, a Sociedade Brasileira de Cardiologia indica a mudança de comportamento como o maior novo desafio a ser superado para evitar as doenças cardiovasculares crônicas. Essa é uma questão de saúde pública, uma vez que, nos Estados Unidos, por volta de 200 bilhões de dólares são gastos por ano para o cuidado com pacientes com essas enfermidades. No IV Congresso de Medicina do Estilo de Vida, o cardiologista Cláudio Domênico aborda a prevenção na cardiologia e como isso se relaciona com a Medicina do Estilo de Vida.

“Uma das maiores dificuldades em mudar hábitos é porque eles os pacientes, muitas vezes, são assintomáticos, ou seja, não apresentam sintomas”, explica o especialista, que complementa: “A Medicina do Estilo de Vida não pode ser elitista, tem que ter modelos simples a seguir para ter a aderência do paciente”. Além disso, ele pontua que além da dieta e da prática de atividade física, o estresse e as relações interpessoais tóxicas também são potenciais fatores de risco para doenças crônicas não-transmissíveis.

De acordo com um dos mais longevos estudos realizados sobre felicidade, conduzido pela Harvard University, o nível de satisfação com os relacionamentos têm efeitos mais positivos do que os índices de colesterol para a promoção da saúde física. Em outra pesquisa, conduzida por Julianne Holt-Lunstad, professora de psicologia e neurociência da Brigham Young University, o estado de solidão e de estar desconectado socialmente tem o mesmo fator de risco que o consumo de 15 cigarros por dia.

Para Domênico, a transformação do hábito vem por meio de uma equipe multidisciplinar de apoio ao paciente. Contudo, um empecilho para o estímulo a essas mudanças é o próprio tempo de consulta e o acolhimento do profissional da saúde. Em estudo feito nos Estados Unidos, as consultas têm, em média, de 13 a 16 minutos cada. Acolher, realizar a anamnese, exame físico e diagnóstico nesse curto espaço de tempo é um obstáculo para os médicos. Por isso, o cardiologista aponta que, para a melhoria de hábitos e a prevenção de doenças cardiovasculares, é indispensável a prática da medicina com empatia, carinho e cuidado com os pacientes. “Devemos conhecer o seu genoma, mas não podemos deixar de escutar suas histórias”, observa o profissional.

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