Intervenções no estilo de vida auxiliam na prevenção da demência

Pesquisas se aprofundam na relação da Medicina do Estilo de Vida com a prevenção de quadros em que há perda de função cognitiva, como o Alzheimer

Atualmente, existem 50 milhões de casos em todo o mundo de demência, termo utilizado para descrever uma série de sintomas em que há a perda de função cognitiva e o declínio progressivo da memória, linguagem e raciocínio principalmente em idosos. Até 2050, esse número triplicará, com mais de 150 milhões de indivíduos acometidos por essa doença. Dentre os subtipos de demência mais prevalentes, a Doença de Alzheimer configura entre 60% e 80% dos casos, de acordo com o médico Cristian Dellepiane, que aborda o tema no IV Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida.

Embora a nomenclatura tenha sido criada em 1797, por Philippe Pinel, precursor da psiquiatria no mundo, até hoje não existe um tratamento farmacológico eficaz para a cura e melhora dos sintomas mais predominantes da demência. Como consequências econômicas, anualmente por volta de 1 trilhão de dólares é gasto para a manutenção de pacientes com esse quadro – e a tendência é de crescimento desse valor até 2050. Além disso, há interferências socioemocionais, uma vez que para cada indivíduo que apresenta essa perda cognitiva acentuada, por volta de cinco pessoas – entre familiares, amigos ou cuidadores -, estão envolvidas cotidianamente em seu cuidado.

Por isso, essa é uma temática de grande relevância na saúde pública, uma vez que é necessário desenvolver a sensibilização sobre o quadro, com estímulo para diagnóstico precoce e tratamento, além de apoio ao paciente, familiares e profissionais que lidam com o declive das funções cognitivas. Em 2017, o The Lancet, uma das publicações científicas mais respeitadas em todo o mundo, divulgou um artigo sobre prevenção, intervenção e cuidado relacionado à demência. Dentre os resultados trazidos, está a prevenção em 35% da demência a partir do controle de práticas relacionadas ao estilo de vida, como obesidade, sedentarismo e consumo excessivo de álcool.

Nesse sentido, a Medicina do Estilo de Vida vem se mostrando uma ferramenta para a prevenção dos sintomas da demência, principalmente com intervenções na dieta, prática de exercícios físicos e relacionamentos interpessoais saudáveis. “Sabemos que a Medicina do Estilo de Vida ocupa um papel central na prevenção do quadro. Uma mudança de atitude frente à doença, com diagnóstico precoce e intervenções nos hábitos são áreas de ativa investigação científica”, conclui Dellepiane.

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