Estilo de vida e epigenética: fatores ambientais podem alterar estrutura do DNA

No IV Congresso de Medicina do Estilo de Vida, o nutrólogo Sérgio Garnes aborda como a epigenética se relaciona com ambiente proporcionado pelo estilo de vida

O estilo de vida é capaz de promover transformações nas características genéticas? Essa pergunta é propulsora de uma área da ciência chamada epigenética. Seu conceito se relaciona com a alteração da expressão gênica, ou seja, a informação existente em determinado gene, mas sem a modificação da sequência do DNA.

Fatores ambientais, determinados por elementos como alimentação, atividade física, estresse e exposição a tóxicos, são algumas das principais causas dessas modificações estruturais do DNA. Essas transformações a nível gênico podem resultar em modificações no funcionamento da célula, as quais inclusive são passadas através de gerações.

De acordo com o nutrólogo e pesquisador Sérgio Ganes, em sua palestra no IV Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, diversas pesquisas relacionam hábitos de vida com a origem de doenças crônicas. A reprogramação fenotípica é a capacidade do organismo de alterar as características fisiológicas ou morfológicas como consequência de mudanças em nível epigenético.

Descrita em 1980, foram correlacionadas alterações crônicas em bebês por conta de hábitos adotados durante a gestação, como a alimentação rica em açúcares e o aumento brusco do peso ao longo da gravidez. Nesse estudo, concluiu-se que recém-nascidos dessas mães que haviam tido instabilidades alimentares tinham uma menor taxa de tecido muscular e maior presença de tecido adiposo. Pela maior quantidade de glicose circulante e um consequente desequilíbrio hormonal, o ambiente proporcionou essa reprogramação tecidual por conta do estilo de vida da mãe durante a gestação.

“O que você está fazendo hoje pode impactar seus filhos”, alerta Garnes. Por isso, atentar-se ao estilo de vida, principalmente em pilares como alimentação, atividade física, regulação do sono, controle do uso de substâncias tóxicas e do estresse, além de promover relacionamentos saudáveis influenciam não apenas em âmbito individual, mas também pode refletir nas próximas gerações.

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