É possível prevenir a dor de cabeça com mudanças no estilo de vida?

O neurologista Fabiano Moulin de Moraes relaciona os pilares da Medicina do Estilo de Vida com a prevenção e tratamento da cefaleia

A cefaleia é a segunda maior causa no mundo de incapacidade, sendo que uma a cada seis pessoas apresenta dor de cabeça com frequência – ou até mesmo crônica. Essa é uma condição com graves repercussões para os indivíduos, principalmente para as mulheres, que são as mais afetadas pela cefaleia. No IV Congresso de Medicina do Estilo de Vida, o neurologista Fabiano Moulin de Moraes abordou como o estilo de vida está intimamente ligado à ocorrência desse quadro, sendo sua transformação uma potente ferramenta de prevenção e tratamento dessa doença.

O sono é um dos principais gatilhos para a ocorrência de cefaleia, sendo tanto uma causa quanto uma consequência. Por isso, é visto como um círculo vicioso, em que a má qualidade do sono influencia na dor de cabeça, a qual impacta em uma pior noite de sono. O sedentarismo, por sua vez, potencializa a questão do sono e auxilia na cronificação da dor.

Em relação à alimentação, existem alguns preconceitos comumente associados aos quadros de cefaleia. Enquanto bebidas alcoólicas fermentadas, como vinho e cerveja, e café são gatilhos para a dor de cabeça, não existem evidências científicas que comprovem que o consumo de chocolate aumenta a ocorrência do sintoma. “Na verdade, a maior vontade de comer chocolate é a fase premonitória da mudança alimentar que ocorre quando outros pilares estão desequilibrados, como o sono, o estresse e a falta de exercício físico”, explica Moraes. De acordo com o especialista, dietas com longos períodos de jejum e a falta de hidratação também são estímulos para as crises de enxaqueca.

Para a prevenção da dor de cabeça, o médico indica alguns passos na transformação de hábitos que podem, em poucas semanas, ter resultados benéficos para quem sofre com o sintoma. Uma dieta rica em plantas – conhecida como “plant-based diet” -, a prática de atividade física por pelo menos 150 minutos semanais, priorizar o sono regular e o uso da técnica mindfulness para relaxamento são estratégias para o manejo da cefaleia. Moraes ainda aponta que a melhora dos sintomas da dor de cabeça começam a surgir a partir da 6ª semana de mudança de hábitos. “Ao longo desses anos, uma frase que absorvi é que, felizmente, a melhor maneira de viver é a melhor maneira de prevenir doenças e quadros como a cefaleia”, finaliza o médico.

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