Como serão as atividades físicas no contexto pós-pandemia?

O médico do esporte Harold Arevalo Parada analisa as consequências das mudanças de hábito durante a pandemia de Covid-19 e suas implicações na prática esportiva

A pandemia de Covid-19 transformou bruscamente a rotina de populações em todos os cantos do mundo. Se antes as pessoas saíam de casa para fazer exercícios, a necessidade de isolamento social para diminuir a transmissão do vírus impôs uma nova rotina, com hábitos inéditos em meio a um contexto desafiador. Após o desenvolvimento das vacinas e a sua aplicação em massa em diversos países, um novo horizonte – o do chamado pós-pandemia – torna-se cada vez mais uma realidade a ser alcançada nos próximos meses. No entanto, como ficaram os hábitos criados ao longo dos últimos meses, em particular a prática de atividades físicas, nesse novo contexto?

No IV Congresso de Medicina do Estilo de Vida, o médico Harold Arevalo Parada, especialista em medicina esportiva, fez uma análise sobre os efeitos da pandemia de Covid-19 na qualidade de vida. “Com o confinamento, as pessoas pararam de ir aos parques, praças e academias. No início, a acomodação era momentânea, mas com o tempo fomos mudando para mais relaxados e sedentários”, explica. Nesse sentido, no início da pandemia, em março de 2020, as rotinas foram quebradas, mas ainda existia uma motivação para realizar as tarefas diárias no mesmo ritmo anterior.

Os exercícios, antes feitos em estabelecimentos ou em locais ao ar livre fora de casa, foram se adaptando à rotina de treinos com aulas on-line e tutoriais em plataformas de vídeo. Contudo, com o passar dos meses, a desmotivação – inclusive pautada pela falta de perspectiva de retorno às atividades rotineiras e presenciais – instaurou-se e incentivou o sedentarismo em escala global. Assim, foi gerada uma zona de conforto, que é perigosa para a qualidade de vida.  

Em pesquisa recente sobre a relação da atividade física e saúde mental ao longo da pandemia, das 3000 pessoas que participaram do estudo, houve uma diminuição de cerca de 32% da prática de exercícios, com uma alta associação a depressão e ansiedade, tanto entre adultos quanto em jovens. Para o especialista, “reinventar-se” é a ação que deve encaminhar esse momento para lidar com os efeitos da pandemia, seja em níveis de saúde mental ou física. Compreender que a atividade física, seja por meio de exercícios físicos feitos em casa ou ao ar livre, é um dos pilares para a melhoria da qualidade de vida e prevenção de doenças é o ponto inicial para retomar aos poucos com essa prática.

De acordo com Parada, embora “reinventar-se” seja o conceito da moda, é interessante agregar significado a ele para o cotidiano, com pequenas mudanças que já são caracterizadas enquanto uma transformação de hábito. Encontrar uma atividade que seja prazerosa e começar aos poucos é uma maneira de alterar a rotina e voltar a prática física, para melhorar o bem-estar e aprender a lidar com os traumas que o último um ano e meio causou na saúde mental e física da sociedade.

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