Adolescência é fase de grande oportunidade para a medicina do estilo de vida

A médica Claudia Terzian desenvolveu o assunto no IV Congresso de Medicina do Estilo de Vida

A adolescência é um período de grandes e intensas transformações, inclusive de origem biológicas. No cérebro, por exemplo, há certas regiões que ficam mais ativas e sensíveis a recompensas nessa fase, como observa a pediatra Claudia Terzian, no IV Congresso de Medicina do Estilo de Vida. Por isso, prestar atenção aos hábitos e demandas desse indivíduo, ao longo desse período, é ideal para seu desenvolvimento nas próximas etapas da vida, em especial no que diz respeito a relações interpessoais, alimentação e atividade física. 

“O adolescente, em essência, é um ser voltado ao social”, afirma a especialista, por isso existe uma suscetibilidade à influência social, seja da família, escola ou outros ambientes em que esse indivíduo frequenta. A ampliação da diversidade de valores nesse período é uma maneira de auxiliar o adolescente a compreender a própria visão de mundo. Por isso, as relações saudáveis devem ser promovidas e influenciadas, já que áreas cerebrais responsáveis pela cognição afetiva estão fortificadas, embora o controle cognitivo ainda seja imaturo. 

Em relação à nutrição, recente pesquisa apontou como a escola é um ambiente primordial para a influência dos jovens. Já em relação ao consumo de ultraprocessados, o estudo fez um recorte de classe e concluiu que a população com maior poder aquisitivo tem um maior consumo de ultraprocessados, o que interfere também na dieta dos jovens, com ingestão maior de gordura e açúcares. Já sobre atividade física, a análise mostrou que existe uma influência dos pares para a prática, sendo os meninos mais propensos a esportes realizados em grupos, enquanto meninas têm a tendência a realizarem o exercício físico acompanhadas por uma amiga. “Por isso, é importante estimular que os jovens tenham contato com pessoas que tenham hábitos mais saudáveis”, ressalta Terzian. 

Um destaque para a questão da atividade física mencionado pela especialista é que existem fenômenos genéticos que regulam a capacidade e o gosto pela atividade física, em que há um melhor condicionamento cardiorrespiratório e muscular em indivíduos que tiveram contato com exercícios físicos e esportes desde a infância. “Tanto a infância quanto a adolescência são períodos de grandes oportunidades da medicina do estilo de vida por existir uma maior facilidade na mudança de hábitos”, conclui a médica.  

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