A salutogênese no processo de promoção de saúde

Desenvolvida por um norte-americano no final da década de 70, a teoria identifica recursos para a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida

A patogênese é o estudo de como uma doença se desenvolve. Mas o que seria a salutogênese? De acordo com o sociólogo Aaron Antonovsky, é a compreensão sobre os mecanismos de origem da saúde. No IV Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, o médico José Roberto Lazzarini descreve esse campo e a sua correlação com pilares da Medicina do Estilo de Vida, como o estresse.

Por que algumas pessoas, apesar de enfrentarem um meio ambiente hostil tanto para a saúde física quanto mental, permanecem saudáveis? A pergunta guiou um estudo feito com mulheres sobreviventes aos campos de concentração, utilizados durante a Segunda Guerra Mundial, que deu origem ao livro “Health, stress and coping”, ou em português, “Saúde, estresse e enfrentamento” em 1979. Em síntese, a salutogênese surge por meio de diversos fatores, dentre eles o “senso de coerência”, termo para designar a forma de perceber a vida e a habilidade de gerenciar com sucesso seus obstáculos. De acordo com Lazzarini, para se manter a saúde, é necessário se preparar para resolver problemas, mapear recursos que conduzem para a direção da saúde e também identificar o propósito da vida, o qual auxilia na percepção desse senso de coerência e na diminuição do estresse frente às dificuldades do cotidiano.

Embora exista uma oscilação entre a patogênese e a salutogênese, Lazzarini observa: “É preciso compreender a saúde enquanto um processo e não um resultado”. Assim como a Medicina do Estilo de Vida, a salutogênese surge a partir de uma série de recursos mobilizados para a promoção do bem-estar e da qualidade de vida. Para lidar com os desafios, por exemplo, a teoria aponta três aspectos a serem trabalhados: o cognitivo, ou seja, ter clareza da situação; o comportamental, com ações para gerenciar essa questão; e o motivacional, que se apoia na empregabilidade de sentido para estimular a motivação para as vivências do cotidiano.

Atualmente, existem mais de 3.500 estudos científicos sobre a salutogênese e sua aplicação no campo da saúde. Na época em que a teoria foi criada, Antonovsky acreditava que o senso de coerência se desenvolvia até os 30 anos e depois não se transformava. No entanto, pesquisas recentes apontam que indivíduos com 60 anos também conseguem mudar sua motivação sobre a vida, o que influencia diretamente na saúde mental e física. Seus benefícios são a longo prazo e contribui no processo da promoção de saúde.

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