A Medicina do Estilo de Vida no manejo da doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica

A hepatologista Patrícia Almeida explica como realizar a prevenção e o tratamento dessa doença de alta prevalência em todo o mundo

Por volta de 34% da população adulta no mundo tem a doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, conhecida como MAFLD. Nos Estados Unidos, é a principal causa de transplante hepático e, no Brasil, vem caminhando para um cenário semelhante. A cada cinco pessoas, duas têm gordura no fígado e não sabem, uma vez que essa doença é assintomática na grande maioria das vezes. No IV Congresso Brasileiro de Medicina do Estilo de Vida, a hepatologista Patrícia Almeida aborda como as alterações nos hábitos são essenciais para a prevenção e tratamento da MAFLD.

Um fígado saudável possui menos de 5% de células gordurosas em sua composição, uma porcentagem maior do que essa já demanda um cuidado para o manejo dessa evolução. Por volta de 15% dos pacientes com gordura hepática são pacientes com IMC (Índice de Massa Corporal) normal, mas que têm alta ingestão de frutose. Alterações congênitas e doenças endócrinas, como a Síndrome dos Ovários Policísticos, também podem influenciar na ocorrência da doença.

Embora a prevalência, em escala mundial, seja alta, são poucos os medicamentos efetivos para o manejo da doença. De acordo com a especialista, cerca de 40% dos pacientes têm dificuldade de adesão ao tratamento farmacológico da MAFLD. Por isso, a Medicina do Estilo de Vida, em todos os seus pilares, é uma ferramenta essencial para o tratamento dessa enfermidade hepática. Os principais pontos a serem trabalhados estão na redução calórica, controle na ingestão de frutose e de álcool, além da prática de atividade física regular. Segundo Patrícia, a partir de uma perda de 3% do peso do indivíduo já traz melhorias na inflamação sistêmica e nas cicatrizes no fígado.

“A Medicina do Estilo de Vida tem um olhar diferente, olha as particularidades de cada paciente. E o profissional consegue perceber e estabelecer metas que considerem o tempo, a escuta e o cuidado com cada indivíduo”, afirma a hepatologista. O impacto do diagnóstico de uma doença crônica é forte no paciente, por isso é imprescindível criar conexões com ele: “É importante mostrar que estamos juntos com o paciente nessa caminhada, identificar suas reais motivações e estabelecer contato com essas experiências”, finaliza Patrícia.

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