A Medicina Culinária como aliada na mudança do estilo de vida

A chef Adriana Katekawa aborda detalhes dessa área do conhecimento, que auxilia profissionais da medicina a abordarem alimentação com seus pacientes

Dentre as maiores transformações nos últimos 40 anos, está a dos hábitos alimentares. Se antes a comida caseira era a principal fonte de alimentação, hoje a comida preparada fora de casa predomina na mesa dos brasileiros. Como consequência, na última década houve um grande aumento da obesidade infantil e da prevalência da obesidade entre adultos. Nesse contexto, a chef de cozinha Adriana Katekawa, durante o IV Congresso de Medicina do Estilo de Vida, sugere a Medicina Culinária como uma forma de reconexão com a alimentação saudável. 

 

Com intuito de auxiliar os pacientes a utilizarem a nutrição e bons hábitos culinários para restaurar e manter a saúde, a Medicina Culinária defende a comida caseira como potente estimulante para a maior ingestão de fibras, vitaminas e minerais. Além de também proporcionar um melhor controle de porções, menor consumo de gorduras, açúcares e sódio, e também uma maneira de estimular a refeição em família. “Na prática, funciona como uma linguagem de alimentação entre médicos e pacientes, com aconselhamento sobre habilidades culinárias, orientação de ingredientes-chave e econômicos e criar estratégias de otimização do tempo na cozinha”, explica Katekawa. 

 

De acordo com a especialista em gastronomia, apenas 38% dos profissionais da medicina discutem sobre hábitos alimentares com seus pacientes, uma vez que pela falta de tempo, conhecimento ou até mesmo treinamento, essa temática se perde durante a consulta. Por isso, desde o início dos anos 2000, algumas clínicas e faculdades de medicina dos Estados Unidos vêm inserindo essa prática dentro do ambiente acadêmico. Em 2001, o Boston Medical Center iniciou uma cozinha demonstrativa dentro do hospital, em que era possível utilizar os alimentos como forma de auxiliar em tratamentos diversos. A partir de 2003, esse espaço passou a receber estudantes de medicina para aulas sobre o assunto. Já em 2013, surge o maior currículo de Medicina Culinária nos Estados Unidos: o Health Meets Food. Em 2015, a Harvard Medical School começa a ministrar cursos de Coach Culinário em suas instalações. 

 

Potentes aliados à Medicina do Estilo de Vida, os programas de Medicina Culinária proporcionam uma experiência social e sensorial na cozinha. Com objetivo de promover uma colaboração interdisciplinar entre diferentes áreas da saúde, compreende que a educação nutricional a partir de estratégias práticas e do cotidiano possibilitam um melhor cuidado do paciente. Para isso, os profissionais também devem ter hábitos saudáveis: “Poder falar com seus pacientes com convicção e experiência pessoal, com uma linguagem clara e acessível, possibilita uma maior consistência ao aconselhar pacientes sobre sua alimentação”, pontua a chef. 

ASSOCIE-SE

Venha fazer parte desta mudança!